quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A RAPARIGA QUE ME VIU PASSAR



A jovem olhava-me intensamente nos olhos, transmitindo-me uma inexplicável sensação de desconforto. Um forte sentimento de desconfiança e insegurança invadia aquele olhar, como uma incontrolável tempestade de areia, que estranhamente inquietava todo o meu ser.
O seu rosto de linhas simétricas e perfeitas atacava-me ferozmente com uma luz verde enigmática, em busca de socorro, como se por algum mistério esse grito tivesse ficado preso na sua garganta. Entrelacei os seus olhos nos meus por um milésimo de segundo e nessa fração de tempo o mundo ficou suspenso, só para que as nossas vidas se tocassem e a minha realidade não voltasse a ser igual. O lenço outrora vermelho vibrante, que lhe afagava a cabeça, estava agora roído pelo tempo tal como a sua alma fria marcada pela dor.
Aquele olhar duro fixava-se em mim, tentando encontrar a sua juventude roubada pela pobreza.
Talvez aquele segundo, pois não passou disso mesmo, não tenha chegado para marcar a sua vida, porém até hoje a imagem daquela jovem está impressa na minha memória.
Carolina Martins, 8ºE


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