A praia dessa ilha era bela, os raios solares batiam na areia, tornando-a num amarelo incandescente. À direita, dois caranguejos andariam à procura de alimento, à esquerda uns enormes rochedos penetravam mar adentro, até desaparecerem de vista e, à minha frente, um bosque… Grandes árvores faziam a entrada para o bosque com as folhas agitando-se com serenidade ao movimento de uma suave brisa. Porém, estava em estado de choque, não sabia o que estava a fazer… Foi então que respirei aquela brisa suave profundamente, ganhei coragem e defini prioridades como encontrar água, ver se a ilha realmente estava deserta, encontrar comida e abrigo. Agarrei num daqueles caranguejos e embrenhei-me no bosque. Apesar da vegetação inicial ser bastante densa, agora havia pequenos arbustos, algumas flores e uma gruta ao longe. Tinha de ter cuidado, pois os ursos eram abundantes e não me podia esquecer que era uma zona hostil. Prossegui caminho até encontrar uma plantação natural de canas com as quais fiz uma pequena cabana. Não estava grande coisa, porém levantou-me bastante o moral. Vi um avião, era português.Lembrei-me que tinha um pequeno espelho no bolso do casaco que, antes do ataque, ia dar ao capitão do navio.
Fiz um V com os dedos a apontar para o avião e refleti contra o sol. Ele percebeu o sinal e mandou um helicóptero que mais tarde me levou para a base. Se eu pudesse voltar a voar, sentir aquela adrenalina… O médico diz que talvez daqui a um mês possa fazê-lo…
João Fernandes, 8ºE
Como? Como é que eu vim aqui parar? A este fim do mundo. A esta maldição! Ah! Ainda me recordo daquela noite em que tudo aconteceu, que arruinou a minha vida. 19 de setembro de 1760. Para sempre amaldiçoarei essa data. Cada vez que me lembro dela, uma cólera sobe-me à cabeça. Estávamos no Pacífico à procura de nem que fosse uma posta de salmão. Dizia-nos o capitão Fernão Mendez que o Virtude II aguentava todo o tipo de tempestades. Mas, infelizmente, ele não contou com a maldição dos pedregulhos que nascem do nada. Infelizmente, batemos contra um pedregulho que... Não consigo pensar nisso. Só sei que fui o único. O único sobrevivente. Eu não sei o que senti. Parecia-me que tinha ido para a um mundo paralelo em que tudo estava ao contrário. Eu, eu ouvia com os olhos e via com os ouvidos. Vi a minha vida passar toda à minha frente. A minha mulher, os meus filhos, aquela vez em que roubei um bolo só para oferecer à minha mana quando foi o seu aniversário. E agora, e agora estou nesta maldita ilha. No meio da maldição do oceano. A única coisa boa nisto foi poder pensar no que fiz na minha miserável vida. Esta ilha rodeada de areia com um cume mesmo no centro como se fosse a perfeição do mundo… Existe, mesmo no topo, uma palmeira tão grande que se perde de vista. Foi aí, mesmo ao lado dessa palmeira, que construí o meu abrigo. Esta ilha só me desperta desespero, fúria, tristeza. Pela ilha construí várias armadilhas para caçar os animais. Fiz uma pequena gruta no caso do meu abrigo desabar. Os únicos perigos são apenas os bodes e os abutres que aqui há. Todos os dias penso que me hei-de safar, mas a minha esperança também diminui a cada dia. Como? Como vim aqui parar?
Pedro Latas, 8ºE
20 de novembro, 2011
Lembro-me como se tivesse sido ontem, o local magnífico que despertava paz e sossego, solidão, por vezes, nesses dias de 4 de abril a 27 de julho de 2009. Uma paisagem tão acolhedora que fiquei estupefacta, o mar tão calmo e frio, tão claro, vendo-se os peixes simpáticos que por ali passavam.
Recordo também a disposição daquela ilha. Do lado direito, flores cujos tons nunca tinha imaginado, as árvores de frutos tão saborosos e coloridos, que acabavam por dar um ar mais simpático àquele local. Do lado esquerdo, as rochas sobre o mar cobriam a bela água que por ali permanecia. Em frente, lá ao longe, o sol quente no céu que aquecia toda aquela ilha, a linha imaginária da terra a pousar sobre o mar longínquo. Como tudo era belo! Aquele local despertava em mim saudade, alegria, tristeza, solidão mas, por vezes, companhia, pois quando me punha a relaxar na quente e fina areia, ia pensando na minha família, nos meus amigos e, ao pensar em tão especial memória, sentia-me acompanhada.
Eram especiais as minhas estratégias de sobrevivência, nessa altura descobri o esforço que uma pessoa faz para poder comer, eu subia às árvores e ficava a sangrar muitas das vezes, matava animais ( o que me custava muito ), mas não podia morrer à fome.
Tive imensas dificuldades mal cheguei à ilha, tinha medo de me perder, tinha medo que ali houvesse pessoas, animais… No entanto, não houve perigos desses, conquistei-me a mim própria, ficando a perceber o que são as dificuldades, a fome, o esforço a sério! Só pensava em ver as pessoas da minha família e começava a ficar desesperada. Felizmente, já estou em casa com a minha família e com saúde, isso é que é importante.
Helena David, 8ºE
Em 1999, numa manhã sem nuvens, encontrava-me num veleiro chamado Esperança. Estava bem equipado, parecia aguentar qualquer tempestade, era esbelto, tinha um ar muito acolhedor. Estava no oceano Pacífico quando o céu começou a escurecer, o meu coração ficou aos pulos, quando vi, mesmo à minha frente, um redemoinho enorme. Quando tirei os olhos daquele fenómeno natural indescritível, sabia que tinha de mudar o rumo, mas foi demasiado tarde.
O Esperança ficou destruído e eu fui parar a uma ilha que estava desabitada.
Era uma ilha muito bonita, calma e serena, apesar de ter aspectos negativos como o sol demasiado abrasador. A paisagem vista do penhasco era indescritível, o céu estava com um azul diferente, as nuvens estavam mais brancas do que nunca, o lago tinha água limpa, os peixes a nadavam e as algas movimentavam-se suavemente para onde a corrente as levava, porém ainda não tinha visto nenhum animal e sentia-me, de certa forma, nervosa, mas serena ao mesmo tempo, pois aquela ilha lembrava-me as tardes de pesca com o meu avô. Apesar de tudo, estava nervosa, pois não sabia como sair dali.
O meu estômago começava a palpitar, tinha de comer algo. Primeiro, fui procurar uma árvore de frutos e encontrei um ananás selvagem que comi, embora não gostasse muito.
Não sabia quanto tempo é que iria ter de passar ali, portanto, tinha de arranjar um abrigo para me poder abrigar das tempestades e talvez dos animais selvagens. Encontrei uma espécie de gruta antes da entrada na floresta.
Sentia-me um pouco desesperada e sentia falta de uma presença humana para conversar e contar a minha aventura na ilha. Estava lá há pouco tempo, mas sabia que tão cedo não me ia embora. Comecei então a pôr a ilha à minha maneira…
Marisa Passos, 8ºE
Estava um dia de nevoeiro, o mar agitado e o barco a baloiçar entre as grandes ondas.
Era a única rapariga dentro do barco, todos me olhavam de lado, pois ninguém queria que viesse na viagem. O comandante, que é o meu pai, mandava-lhes um olhar assustador e os marinheiros voltavam ao trabalho.
Sentia-me só, ninguém partilhava nada comigo, só o meu pai me explicava o que tinha que fazer, mas nem ele me ligava muito. Ele também não queria perder a sua menina no grande mar furioso, mas eu implorei tanto para ir nesta viagem que ele acabou por ceder.
- Pai! As ondas estão muito agitadas e já está a entrar água para o barco! O que fazemos?
- Nada, minha filha. Não há nada que possamos fazer.
- Como nada? - Dito isto, uma grande onda abanou o barco. Caí. Tentei gritar por ajuda, mas a água que entrara no barco veio contra mim e com a força bati com a cabeça.
Acordei a sentir cócegas na cara. Comecei a sentir um respirar frio. Tentava abrir os olhos para ver o que era, mas estava tudo desfocado. Esfreguei os olhos e abri-os aos poucos para se irem habituando à luz solar. Mal consegui abrir os olhos, vejo um animal a mirar-me de perto. Gritei de medo, mas foi ele que fugiu. Fiquei apavorada e com o coração aos saltos. Tentei levantar-me. Doía-me tanto a cabeça que parecia que ia desmaiar outra vez. Olhei à volta. Estava num local lindo, um paraíso, mas estava sozinha, tendo apenas animais e árvores por companhia.
Caí outra vez, nem queria acreditar que estava sozinha numa ilha desabitada. Fiquei assim durante um tempo. Estava angustiada, queria levantar-me e conseguir resistir.
Passado um dia, acordei com o sol a queimar-me a cara. Estava determinada, tinha que sobreviver. Levantei-me e fui comer.Quando comia pensava que iria construir uma cabana, explorar a ilha e pensar no que poderia fazer com o que ela me desse.
Ergui a cabeça e fui trabalhar para a sobrevivência. Tinha que deixar as saudades para trás e trabalhar.
Raquel Copeto, 8ºE
Lá estava eu, rodeada de tantos outros iguais. Era um inferno: acorrentados, a sangrar, privados de viver. Nada podíamos fazer, o chicote era como que o diabo. Ouvira o dia em que estávamos pela conversa dos capitães, dia 29 de setembro de 1979, um dia igual aos outros. Seria hoje? Seria hoje que as nossas preces seriam ouvidas e Deus nos livraria daquela tortura? Nada o indicava. Já muitos haviam morrido, eles continuavam. Já nada víamos senão o preto da solidão e o vermelho do sangue derramado.
Sentimos o navio parar, navio sobre o qual nós não sabíamos nada, não éramos autorizados. Alguns pensavam que havíamos chegado ao nosso destino, outros que paráramos pelas mercadorias, para a minoria (incluindo-me), havia esperança que algo se passasse. Num ápice de segundo, por vontade de Deus talvez, o número sete (éramos tratados por números) tira uma navalha e começa o motim. O navio tombou. Ainda acorrentados, nadámos para nos salvar.
Já o número sete, oito e nove estavam a trabalhar, o vinte, o trinta e o quarenta na busca de alimento, quando eu acordei. Que se passava? Aparentemente, passaram dois dias desde o naufrágio , e nós, os escravos, acabámos por chegar a uma ilha, construindo uma civilização e fazendo dos comandantes prisioneiros. Infelizmente, muitos não tinham sobrevivido. Começámos a aproveitar os recursos da ilha e a primeira grande decisão que tomámos foi que dali em diante nos trataríamos por nomes. A mim, intitularam-me Nicole. Dos troncos das árvores fizemos casas e barcos, com os frutos um banquete.
Uma sensação de paz, liberdade, de vontade de viver invadiu-me o espírito. Nos meus olhos, escorriam as lágrimas de felicidade. Dia 31 de outubro de 1979, o dia mais feliz da minha vida.
O naufrágio tinha sido a melhor coisa que me podia acontecer!
Nicole Antunes, 8ºE
Estávamos todos assustados, exceto o capitão e o seu ajudante Morinson, que falavam no convés e bebiam vinho. Ao longe, viam-se raios que rasgavam os céus, passando por entre a chuva e fazendo barulhos estrondosos. Até que uma onda gigante engoliu o barco em frações de segundos. Enrolados nas ondas, desaparecemos sem deixar rasto .
Acordei numa praia, levantei a cabeça vagarosamente, limpando a cara cheia de areia . Abri os olhos e só via arbustos e uma densa vegetação. Levantei-me, puxei a blusa para baixo e olhei para os lados, não vi ninguém, tinha a sensação que estava sozinha, o que me assustou bastante . Parei para pensar no que fazer. Não conseguia ver nada para lá da vegetação, mas a praia era muito extensa e, se a seguisse à beira mar , corria o risco de não encontrar nada e , não sei porquê, tinha a sensação que algo me chamava para lá da vegetação ... Engoli em seco e avancei, rasgando parte da vegetação.
Quando cheguei ao lado de lá, encontrei uma enorme cascata que parava numa lagoa. Olhei atentamente a lagoa e vi umas pessoas a nadar. Quando se aperceberam da minha presença, ficaram sem reação e eu muito assustada. Contudo, pouco tempo depois, saíram da água em direção a mim. Disseram algumas palavras, mas eu não entendi nada. Então, pegaram na minha mão e levaram-me até a um barco que estava na margem da lagoa. Entrámos no barco e passámos por baixo da água que caía na cascata.
Passada a cascata, fiquei deslumbrada ao ver tanta gente. Os meninos pequenos corriam e saltavam, as senhoras lavavam roupa à beira-mar e as casas eram inúmeras. .
Levaram-me a casa do chefe Camull e fui muito bem recebida. Em pouco tempo, integrei-me , tornando-me o braço direito do chefe . O povo que ali habitava era pacífico. A vontade de ali permanecer foi muita, nunca mais me fui embora ...
Ana Almeida, 8ºE
Foi no ano de 1960, eu estava num navio no Oceano Atlântico quando, de repente, as nuvens cobriram o céu e começou a ouvir-se muito barulho, era uma tempestade. As ondas eram tão grandes que quase tapavam o céu e foi quase logo a seguir ao barulho da tempestade que uma onda fez virar o barco.
Fui parar a uma ilha ao pé da costa africana, era completamente desconhecida. Senti-me sozinho e ao mesmo tempo curioso, fui dar uma vista de olhos à ilha.
Encontrei uma árvore que tinha uma cabana em cima, subi a árvore e pensei que aquele lugar podia ser o meu abrigo. Quando entrei não vi comida nenhuma, por isso, decidi ir à procura. Fui parar à praia onde havia imensas bananeiras, tirei um cacho, voltei para a cabana e resolvi dormir.
No dia seguinte, como me sentia triste, decidi começar a construção de um barco. Fui outra vez à praia e encontrei várias árvores das quais podia usar a madeira. Levei a madeira para ao pé da cabana e comecei a construir o barco.
No final do dia, já tinha uma parte do barco feita, porém quando estava a ir para casa, uma grande tempestade surgiu e destruiu-me todo o trabalho. Senti-me muito triste e pensei que nunca mais ia sair daquele lugar.
Passou um ano e eu continuava a pensar que era naquele lugar que iria morrer. Tinha construído uma espécie de calendário para saber quanto tempo passava. Foi quase quatro anos depois da minha chegada à ilha, que avistei um barco, não muito longe. Comecei a chamar, mas ninguém me ouvia. Como reparei que o barco estava atracado, comecei a nadar até ele, felizmente havia tripulação. Ajudaram-me a subir para o barco e levaram-me de volta a casa.
Luís Ramalhosa,8ºE
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