De manhã, quando acordei, o sol já se tinha levantado. Meio ensonada, olhei pela janela do meu quarto. O tempo estava nublado mas, lá no meio de tantas nuvens, surgia o sol com os seus cabelos doirados e a sua luz brilhante que iluminava toda a aldeia.
Lavei a cara, vesti o meu vestido azul turquesa, calcei os meus sapatos a condizer e prendi o cabelo com a minha fita branca. Desci as escadas seduzida pelo cheiro do chocolate quente preparado pela minha mãe. Quando cheguei lá abaixo deparei-me com o meu pai, há dois anos que não o via. Senti-me intrigada, olhei-o nos olhos e fui me embora. Agarrou-me na mão e chamou-me “filha”, eu apenas retorqui que era filha da minha mãe, que não tinha pai. Agarrei na mochila e fui para a escola.
Durante o longo percurso para a escola, sentia-me destroçada por dentro e também com um grande desgosto. Passaram-me diversas ideias pela cabeça, entre as quais mandar o traidor embora, acabar com a minha tristeza encontrando o abismo, porém, queria matar as saudades, dado que este era o meu pai, apesar de me ter abandonado cruelmente.
O dia na escola foi terrível, apesar de ter passado rápido. Não disse nada o dia todo, nem prestei atenção a ninguém, tirando o Ricardo, ao longo do intervalo e, para piorar, fui expulsa das aulas de Português e de Matemática por insultar repetidamente a escola e um colega meu.
Neste momento, estou totalmente consumida e parece que tenho uma chama que arde lentamente e deixa tudo o que se aproxima em cinzas. Aliás, nunca tinha demonstrado rancor, raiva ou violência, sempre fui calma, serena, tranquila, amiga, com uma forte personalidade e nunca nada me tinha afetado como isto.
Pensei melhor antes de chegar a casa e apercebi-me que deveria desculpá-lo, pois, apesar de tudo, fora ele que me criara e isso, para mim era muito significativo. Quando cheguei a casa, ele estava sentado no sofá e pediu-me desculpa, esclarecendo que tinha voltado por minha causa, como eu, tinha imensas saudades. Não resisti, desculpei-o e fui dar-lhe um abraço.
Nesse mesmo dia, para celebrar o seu regresso, fomos jantar ao restaurante mais requintado da cidade. Revivemos os momentos em que o meu pai ainda morava connosco. Partilhámos alegria, felicidade, emoções fortes. A melhor coisa que me aconteceu na vida foi, nesse dia, ter reencontrado o meu pai.
Texto coletivo, elaborado por alunos do 8ºE e do 8ºF, no âmbito do projeto «Ler Mais, Escrever Melhor»

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