sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A minha leitura do poema "QUANDO EU FOR GRANDE", de José Mário Branco


Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
P´ra me poder aquecer
Na mão de qualquer menino

Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz
P´ra tudo o que eu sou caber
Na mão de qualquer de vós

Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Tudo em mim se pode erguer
Quando me pisam não grito

Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto
O que lá estou a fazer
Só se nota quando falto

Quando eu for grande quero ser
Ponte de uma a outra margem
Para unir sem escolher
E servir só de passagem

Quando eu for grande quero ser
Como o rio dessa ponte
Nunca parar de correr
Sem nunca esquecer a fonte

Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz

Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto

Quando eu for grande...
Quando eu for grande...

Quando eu for grande quero ter
O tamanho que não tenho
P´ra nunca deixar de ser
Do meu exacto tamanho

José Mário Branco




O tema deste poema transmite-nos a ideia do futuro, das expetativas e dos receios que esta criança tem ao crescer.
Nas duas primeiras estrofes, encontramos a ideia de que o “menino” não quer perder o afeto que tem em criança, por isso, o sujeito poético refere que deseja ser tão pequenino para que qualquer pessoa o possa acarinhar.
Na terceira estrofe, o sujeito poético exprime o seu desejo de ser forte, de nunca desistir mesmo perante as dificuldades, exemplificando metaforicamente com a imagem da “laje de granito”, material naturalmente resistente.
Na quarta estrofe, o sujeito poético quer mostrar que tal como a “pedra do asfalto”quando não está faz falta, também esta criança, quando for grande, quer marcar a diferença.
Na quinta estrofe, o sujeito poético ambiciona construir um futuro altruísta , em que pode ajudar e “unir” toda a gente sem distinção.
Na sexta estrofe existe a ideia de que o sujeito quer seguir para o futuro em liberdade e num movimento contínuo, sem esquecer o passado e as suas origens.
Nas estrofes sete e oito existe uma repetição das ideias anteriormente mencionadas, para as enfatizar.
A penúltima estrofe transmite o receio e o lamento que “o menino” sente por crescer, daí a repetição do pensamento”Quando eu for grande”.
A última estrofe refere o seu desejo de continuar a ser criança, para não perder a capacidade de sonhar, ser acarinhado e não ficar nostálgico.
Análise formal do poema “Quando eu for grande”, de José Mário Branco
Este poema é constituído por dez estrofes, cada estrofe é composta por quatro versos, sendo assim quadras, à exceção da penúltima estrofe, que como é formada por dois versos (dístico).
Nas oito primeiras estrofes e na décima estrofe existe existe rima cruzada. Na nona estrofe o esquema rimático limita-se a (aa), sendo a rima emparelhada. O esquema rimático de todo o poema é: abab/acac/adad/aeae/afaf/agag/abac/adac/hh/aiaj.
No poema existe predominância de sete sílabas métricas (heptassílabo ou redondilha maior), à exceção do primeiro verso de cada estrofe que tem oito sílabas métricas (octossílabo) e da nona estrofe que tem quatro sílabas métricas (tetrassílabo).
Carolina Martins, 8ºE

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