quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Poema vencedor do «Faça lá um poema» - 3º ciclo, fase escolar



A dormir ou acordado

No mundo imaginário
Tudo pode acontecer
Desde gansos a uivar
E lobos a miar.

Cada um vê o que sente
Desde azul o sol
E vermelha a lua
A noite colorida
E o dia vestido de luto
O céu verde
E a terra a erguer-se violeta.

O que eu sinto
A pessoa ao meu lado não sente
O que eu vejo
A pessoa ao meu lado não vê.

A imaginação é uma bola de sabão
Frágil no seu ser,
Mas difícil na sua composição.

É complicado definir o intocável
Cada um imagina-se de uma maneira especial
Com o seu próprio surreal.


A minha realidade
Pode ser o irreal de alguém
E pode existir também,
Quem, a dormir ou acordado
Partilhe o seu mundo com outros.

Carolina Santos Martins
Nº3 8ºE

Os nossos poemas no «Faça lá um poema»



Ninguém sabe

Ninguém sabe responder
Ao porquê da existência,
Ao porquê do medo,
Ao porquê do mundo.

Cada um vive
Em função das invenções e das crenças
Que ouviu em criança.

Mas ao crescermos queremos descobrir
O porquê do querer descobrir
O porquê de falarmos
Ao porquê de escrevermos,
Assim, um dia mais tarde
Podemos explicar o que outros não conseguiram.

Ninguém consegue desvendar os segredos
E mesmo que se descubra algo
Não se descobre o porquê da descoberta
E vai sempre existir dúvidas,
Que nem mesmo o destino consegue resolver
Talvez este nem seja real…
Não há provas.


Iremos sempre morrer inconcretizados,
De uma maneira ou de outra,
Quer procuremos as respostas quer não,
O racional vai sempre dar lugar às ilusões.

Podemos até perguntarmo-nos o que é a morte
Sem ser o ciclo da vida,
Mas com que finalidade,
Se nunca obteremos resposta?

Porque nos importarmos
Quando nada se importa connosco?

Ninguém soube
Ninguém sabe
Ninguém saberá.

Limitamo-nos apenas
A seguir os padrões
Que outros que se importaram em impor.
E ao pensar que ultrapassamos algo,
Estamos apenas
A abrir outra pergunta à ignorância humana.

Carolina Martins
nº3 8ºE

Os nossos poemas no «Faça lá um poema»



Quero ser grande para poder ser pequenina

Quando for grande quero ser pequenina,
quero ter o sorriso no olhar,
quero sentir dor sem me doer,
quero saber como é a magia de crescer…

quando for grande quero-me conhecer,
sentir a fantasia de viver,
quero pensar, repensar e voltar a pensar.

quando for grande quero decrescer,
para voltar a ser pequenina.
quero pensar como seria ser grande
e a ambição de começar a crescer.

quando for grande quero pintar o preto de branco,
quero escrever um poema sem papel,
quero semear sem sementes,
quero viver sem ter vida.

quando for grande quero enquadrar os quadrados que não são quadrangulares,
quero percorrer os caminhos que ainda não percorri,
quero ser a linha que separa a realidade da ficção,
quero ser os filmes em que não entro e aqueles em que sou a personagem principal,
quero ser a explicação para o que não pode ser explicado,
quero ter medo de não ter medo.
Às vezes quero pensar sem calcular,
achar sem procurar,
sonhar sem dormir,
decidir sem reflectir,
cantar sem falar,
ver o sol sem me encandear…

Mas sobretudo quero ser quem sou,
ter imaginação, lutar pelo meu coração,
quero crescer e decrescer,
para um dia a mim me poder conhecer…

Quero ser grande para poder ser pequenina,
quero conduzir a vida e passar os obstáculos que enfrento,
quero crescer para ter a alma de uma criança,
quero continuar a triunfar,
para um dia ao fim poder chegar.

Daniela Alvarinho, 8ºE

Os nossos poemas no «Faça lá um poema»



Voltam as sombras,
Obscuras, não mostrando o quão frágeis são
Tropeçam umas nas outras,
Com pressa de chegar.

O sentimento começa a invadir-nos
O vento a mudar-nos
Os pássaros cantam tranquilamente
E nós nem damos conta.

No nosso mundo tão preenchido
Ignoramos a chuva,
O olhar e o sorriso
Ou o sol da manhã.

Tão distantes de nós, pensamos,
O que valeria?
Um sofrimento, uma dor,
de nada poderia ajudar
E desistimos.

Quando não sabemos onde estamos,
Como aconteceu ou o que sentir
Refugiamo-nos no nosso canto
Tão pequenino e seguro.


A realidade insiste sobre nós,
E tão determinados a ganhar a luta da vida
Empurramo-la para longe
E observamo-la até às linhas que definem o horizonte.

Sem fundamento ou glória,
Dignidade escassa e rasgada de marcas
As más decisões ,
Aquelas que tomámos há uns tempos atrás
Voltam até o sol se pôr.


E por vezes, é esse o problema
Ficamos a ver o Sol,
Tão perto e fácil de alcançar
Pondo brilho aos nossos olhos

Versos soltos assim o são,
Tal como a vida, um papel ou um simples sapato
De tudo precisamos, mas há uma altura
Em que o desprezo nos ganha e também nós desprezamos.

À noite, quando tentamos fechar os olhos,
Lá vêm os mesmos pensamentos,
As mesmas lágrimas ou alegrias…
Relembramos os momentos mais cem vezes,
E só depois a nossa alma esta satisfeita

Acordamos, e o tempo de liberdade acabou,
O tempo em que podíamos correr nas nuvens,
Ir a Marte e ter aquele alguém que queremos
Acaba.

O pensamento volta, aquele pensamento
que fez com que adormecêssemos mais tarde a noite passada,
como pode ser a cereja no bolo
e a maça envenenada nalguns momentos.

Nicole Antunes, 8ºE

Os nossos poemas no «Faça lá um poema»



A Lua

Por definição: um astro,
Satélite natural da Terra,
Mais pequena, de cor branca
E separada por milhares de quilómetros.

A Lua, feita de queijo para alguns,
Insignificante para outros
E com admiradores de todo o sempre,
É indefinida.

A luz com a qual adormecemos,
E que até há pouco tempo, eu também não ligava,
Ilumina-me agora cada passo que dou,
A cada palavra que proclamo.

Penso na sua luz quando estou feliz,
Emociono-me a olhar para o céu.
Guia-me durante a noite
E nos sonhos mais sensíveis.

É a Lua,
A nossa Lua,
Aquela que nos dá um abraço quando mais ninguém o faz,
Que se apercebe que não estamos bem
E sem proclamar uma única palavra,
Faz com que nos sintamos melhores.

Nicole Antunes,
Nº21 8ºE

OS NOSSOS POEMAS NO «FAÇA LÁ UM POEMA»



As poetisas da turma concorreram ao concurso Faça lá um poema, do Plano Nacional de Leitura, com poemas lindos e profundos que refletem não só o seu gosto pela escrita e pelas palavras, como a sua interioridade, sensibilidade, sonho...


O coração

Comete loucuras,
Actos não pensados,
Processa as instruções do cérebro
E desobedeces-lhe determinado.

Sem ele não vivemos,
Sem ele não existíamos,
É ele que forma o nosso carácter
E define a nossa personalidade.

Sente coisas, jamais sentidas por outro órgão
Bate forte por aquela pessoa especial,
Diz coisas sem dizer
E faz paisagens magnificas.

É destroçado, e sem piedade,
Destroça todo o corpo.
É o nosso ponto fraco,
Aquele que nos deixa dias sem dormir.

Cientificamente, tem uma definição.
Para mim, algo que em nada se enquadra à realidade!
Não é um órgão, é o órgão:
Aquele que nos conta as mais belas histórias,
Aquele que nem sempre entendemos,
Mas sabemos que tem sempre razão.

Deixa-nos imóveis,
Por vezes tristes…
Para compensar, talvez,
Enche-nos de alegria e amor
nos melhores momentos.

É a base de todas as nossas decisões,
As más, as boas, as apaixonadas.
É algo essencial à vida,
Algo que por mais que tentemos,
Não podemos esquecer e retirar dentro de nós.

O coração sente amor, amizade,
Ódio e decepção.
O coração sente as melhoras coisas nos piores momentos.

É Rebelde:
Por vezes, ouvimos um ‘É melhor não!’
E contra todas as leias da física,
Lá fazemos o acto proibido.

Traz zangas, paixões,
Amores eternos e jovens.
O coração prepara-nos para a vida!

Distingue o bem do mal…
O certo do errado
E percebe, numa linguagem própria,
O que o cérebro se esforça para explicar.

O coração é tudo aquilo que nos define!

Nicole Antunes, 8ºE

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O tabaco



Cada vez mais existem fábricas produtoras de tabaco e eu pergunto: Para quê? Na minha opinião, o tabaco não devia ser fabricado, pois não faz falta, antes pelo contrário, é muito prejudicial. Contudo, como ganham muito dinheiro a fabricá-lo, não se acaba com esta terrível produção.
Os homens ou as mulheres que fumam já pensaram nas consequências do tabaco? Além de sofrerem de uma dependência e de estarem a danificar a sua saúde, gastam imenso dinheiro com tal dependência. Se chegassem ao final do ano e somassem as despesas aplicadas neste vício, quase daria para comprar um carro, porém, infelizmente, esse dinheiro vai todo para os fabricantes.
Por isso, penso que a atitude correta seria acabar com as fábricas de tabaco, mas os fabricantes não deixarão que isso aconteça, pois o dinheiro está acima de tudo e há muita gente a ganhar dinheiro com esta produção.
Para terminar, há muitos portugueses que se queixam que estão em crise, contudo, continuam a comprar tabaco...
Diogo Cascalho, 8ºE