quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A RAPARIGA QUE ME VIU PASSAR



A jovem olhava-me intensamente nos olhos, transmitindo-me uma inexplicável sensação de desconforto. Um forte sentimento de desconfiança e insegurança invadia aquele olhar, como uma incontrolável tempestade de areia, que estranhamente inquietava todo o meu ser.
O seu rosto de linhas simétricas e perfeitas atacava-me ferozmente com uma luz verde enigmática, em busca de socorro, como se por algum mistério esse grito tivesse ficado preso na sua garganta. Entrelacei os seus olhos nos meus por um milésimo de segundo e nessa fração de tempo o mundo ficou suspenso, só para que as nossas vidas se tocassem e a minha realidade não voltasse a ser igual. O lenço outrora vermelho vibrante, que lhe afagava a cabeça, estava agora roído pelo tempo tal como a sua alma fria marcada pela dor.
Aquele olhar duro fixava-se em mim, tentando encontrar a sua juventude roubada pela pobreza.
Talvez aquele segundo, pois não passou disso mesmo, não tenha chegado para marcar a sua vida, porém até hoje a imagem daquela jovem está impressa na minha memória.
Carolina Martins, 8ºE


AUTORRETRATO DA INFÂNCIA


Numa correria louca andavam aqueles olhos tão verdinhos como um ribeiro, com os seus lábios bem inclinados para a direita, um sorriso maroto parecendo querer fugir. Os cabelos escorridos pelos ombros cobriam as orelhas com pequenas falhas que combinavam perfeitamente com o seu tom de pele... Nas bochechas, umas engraçadas rosetas, como que assumindo um ar de culpa inofensivo, eu era uma criança. Hoje, só tento recordar a criança que fui...


Daniela Geadas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

DESCREVENDO...



UM RETRATO... UMA LEITURA... UM TEXTO...

Permanecia imóvel. Seria imaginação minha? Uma senhora idosa que parecia tentar sorrir para mim. Em todos os movimentos que fazia lembrava-me a minha bisavó. O sorriso subtil que lançava era como o despertar das flores na primavera. Tinha o cabelo branco como a neve. O lenço que o cobria era preto e parecia tentar manter os cabelos irrequietos no lugar. A testa, um refúgio de ideias . O seu rosto, tão inocente… dominado pelas rugas que a vida lhe impusera. Estas, cada uma contava uma história, um sofrimento ou derrota, uma alegria ou uma simples vitória…
Tinha os olhos verdes, grandes…através deles percorria-se o Universo. Notava-se o brilho no seu olhar delicado e profundo. Levantava as sobrancelhas como se quisesse que eu fosse ter com ela. O nariz tentava impor-se perante o resto, como uma menina empoleirada na janela. Não muito pequeno, cercado pelas bochechas que lhe davam feição. Tudo em si me fazia querer aproximar. Porém, as roupas pretas, o olhar profundo que me pôs a pensar, afastou-me. Olhei de novo, parecia querer fazer-se ouvir, manifestar. Toda ela muito quieta, não reagia. Que fazer? Eu avancei. Logo me alcançou a mão, na qual senti um frio arrepiante. Permaneci firme, recordando antigos momentos de harmonia.
Amável, bondosa e generosa…era assim que os meus olhos a viam.

Nicole Antunes, 8ºE



Era uma senhora de idade. Tinha olhos claros e cabelos brancos cobertos por um lenço preto, como a cor do seu vestido. Na sua cara, coberta de rugas, notava-se uma tristeza no olhar intenso.
Inês Viegas, 8ºE

RETRATO



UMA IMAGEM... UMA INTERPRETAÇÃO... UM TEXTO...
Existia, em tempos passados, um homem cubano de pele acastanhada, cabelo negro, curto e barba por fazer, que adorava viver os seus sonhos. Um dia esses sonhos foram destruídos e ele tornou-se num homem deprimido, triste e solitário.
Perdera todos aqueles de quem gostava e amava, devido à sua nova forma de viver a vida, sentindo assim um vazio ainda maior no seu coração.
Passou, então, a ser conhecido pelo “Deprimido”, desde que se tornara num homem diferente, sem objetivos de vida nem sonhos. De homem bem vestido, a quem todos queriam falar, converteu-se num normal vadio de rua, sendo menosprezado por todos os que passavam por ele.
Tornou-se, assim, num homem totalmente aparte do mundo, sem dinheiro para o essencial, de feição sempre triste e de barba por aparar. Aos olhos dos outros, a sua figura era, agora, desprezível.
Em jeito de conclusão, reanalisando este retrato, começo a pensar: “Será que o dinheiro é um tratamento de beleza que, quando acaba, nos transforma num vulgar vadio?”.

João Santos, 8ºE

DESCREVENDO...



RETRATO DE PERSONAGEM III

LÁGRIMA NEGRA

Ao olhá-la sinto uma tristeza profunda. O olhar baço, sofredor, juntamente com as lágrimas, transmite essa tristeza.
A nudez, os cabelos desgrenhados, a sujidade da pele e o habitat dão a ideia da menina ser pobre. A cor escura da pele leva-me a pensar que a menina talvez seja de um país africano pobre, onde as crianças passam fome, não têm água nem cuidados primários de saúde e higiene.
Raquel Copeto, nº 23 8º E

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

DESCREVENDO LOCAIS...




Uma pintura inesquecível...


No verão, o lago rodeado de montanhas, onde a serenidade e a paz predominavam, adotava o tom verde da paisagem luxuriante que o circundava, assim como o tom azul celeste do céu. As suas margens aprazíveis convidavam ao descanso e à contemplação da sua beleza selvagem, totalmente diferente da do inverno.
Foi numa das suas margens que me sentei e observei, mais atentamente, as nuvens que desenhavam no céu imagens humanas e de animais.
Nessa contemplação, apercebi-me do chilrear das pequenas aves que, no alto das árvores, pareciam cantar um hino à mãe natureza. Foi então que me assaltou um pensamento inquietante e me perguntei: Será que um dia também os meus filhos e netos poderão desfrutar destas maravilhas da natureza?
Esta interrogação deixou em mim um sentimento misto de alegria e de tristeza.

João Santos, 8ºE


Era um lago rodeado de densa vegetação , que cobria de verde todas aquelas montanhas. Logo que o vi, tive a sensação que já ali tinha estado. A brisa que vinha em direção a mim acalmava-me, fazia-me sentir tão pura como uma flor na primavera. A temperatura mantinha-se agradável . O sol brilhava sobre as águas serenas e cristalinas como os olhos de uma criança na noite de Natal. Estas, lentamente, iam e vinham, sem pressa . Havia pequenas nuvens brancas no céu infinito. O movimento das folhas causava um som ponderado como o cair de uma folha caduca no outono .
Toda aquela calma fazia-me lembrar os passeios de domingo junto ao rio , com o meu avô , enquanto ele caçava borboletas para a sua famosa coleção.
Fez-me sentir saudade da minha infância ...
Ana Almeida, 8ºE


As montanhas que vejo são magníficas. À distância podemos ver os cumes lá no alto como que a tentar tocar no céu. A sua estrutura inclinada dá-lhes a ideia de superioridade. A sua cor é castanha e algumas partes estão sobrepostas de ervas reluzentes à luz do Sol.
As nuvens que pairam sobre elas… tão leves, tão frescas. Com formas irregulares a partir das quais uma criança consegue imaginar tudo. E o céu? Bem,… o céu dá-nos vontade de olharmos para cima até vir a noite. Está tão azul, tão bonito. Mas não há Sol? Na verdade não consigo ver o Sol…melhor do que isso! As montanhas mais perto sobressaem com a sua luz. As plantas não conseguem parar de sentir a alegria enquanto que recheadas com a sua ternura.
A água… a água tão pura. A sua cor, onde os nossos olhos por pouco conseguem chegar, é mais clara; no centro, parecendo calma e com harmonia, tem um tom de azul escuro… Já muito p´ra lá dos montes altos de que há pouco falava é verde… não deixando de ser única ao olhar. Quando termina esta sensação… chegamos a terra. Conseguimos ver ainda a nascer no solo as plantas verdes, que mais tarde o cobrirão por completo, representando o início da primavera. À minha direita, vejo uma árvore… Tem o tronco um pouco torto, como que a querer entrar na água. As suas folhas, crianças irrequietas. Com atenção, conseguimos ver a sombra da árvore aconchegada na terra.
Do meu lado esquerdo, vejo uma planta pequena, indefesa na Natureza. A sua sombra também é bem visível na terra e as suas folhas dançam como que ao som de uma música. Queres dizer do vento? Sim… o vento que, ao olharmos para o irrequietismo da água, percebemos que está presente. Não muito forte, daquele que até dá gosto vir uma brisazinha de vez em quando…
Sei o que estão a pensar… um local perfeito? Nem sempre. É bom para estarmos sozinhos ou saborearmos a dádiva da vida com uma pessoa. Tem as suas imperfeições… mas isso quem não as tem?
Essencialmente, esta paisagem traduz paz, sabedoria. Tranquiliza-me ao olhar e sentir a sua beleza.
Nicole Antunes, 8ºE



…Era a paisagem mais bela que eu já tinha visto em toda a minha vida, supostamente no início da primavera. O céu era azul turquesa, com o sol escondido por entre as montanhas, salpicado de nuvens gigantes e todas elas diferentes, brancas como a neve, mas também macias e farfalhudas como o algodão da feira. A água reluzia como uma estrela na Noite de Natal, cristalina, em tons azuis esverdeados, refletindo a imagem da vegetação. Existiam montanhas altas e afuniladas, cobertas de árvores e arbustos de distintos pigmentos verdes, com um toque subtil de branco por cima. A areia era fina e macia, dourada e bege, estendida ao longo da margem do rio, juntamente com pedras trazidas e levadas por aquela água calma e pacífica.
Tudo permanecia em silêncio, porém, aparecia uma brisa serena que dançava por entre as plantas e a água do rio, contagiando a paisagem que eu via. Nesse momento, o rio compunha uma melodia tão linda quanto a dos pássaro a chilrear em liberdade. Lá ia ela, a dançar para outro espaço, voltando a tranquilidade e a paz, pondo tudo no lugar, com clareza e certidão, sossegado e em perfeita harmonia.
Encontrava-me debaixo duma árvore velha, com cerca de cem anos. Ao tocar-lhe senti que era bastante rugosa e com concavidades, as suas folhas tinham diversas irregularidades, eram verdes, mas também amarelas. Conseguia ver todos os cantos e recantos, do lado esquerdo podia ver rochas à superfície de água, encontrando lá peixes vermelhos e dourados, que ao saltarem faziam sons suaves. Não havia grande movimento, pois era uma zona onde não se encontrava perigo, chegando assim à direita, que dava passagem para um bosque por detrás das rochas escarpadas.
A cada passo que dava, sentia-me cada vez mais distante do mundo real, aquele que está poluído, cheio de carros a buzinar, aquele que está degradado pelo Homem. Este sítio é totalmente diferente do mundo em que vivemos, pois aqui consegue-se ouvir o barulho das formigas a comer.
À minha frente, conseguia ver serras mais afuniladas e mais distantes, lembrando manchas castanhas regulares.
Conseguia-se sentir o cheiro da frescura trazida pelos eucaliptos e pelos pinheiros. Este cheiro era tão leve como uma pena que voava ao som duma nota musical. Havia um cheiro que nunca mais se esquece, o cheiro do jasmim, como o movimento de um pincel a pintar numa tela. Leonor Ferreira, 8ºE

Oásis. A água azul céu e verde relva espelha o sol. Nos cumes das montanhas habitam os deuses. As árvores entrelaçam-se no ambiente de paz, fazendo sombra fresca e relaxante. Deitado, escuto o correr da água, o canto dos pássaros e o meu espirito transcende a um estado inexplicável. Este paraiso foi concebido pelas próprias mãos de Deus.


Pedro Latas, 8ºE



































DIÁRIO DE SEXTA-FEIRA




As seguintes páginas de diário surgiram no âmbito da exploração da obra Sexta-Feira ou Vida Selvagem, de Michel Tournier e refletem a temática da adaptação ao outro e à cultura do outro.



Deitado na cama de palha, Sexta-Feira considera a nova realidade que agora enfrenta.
Sexta-feira, 8 de maio
Hoje não sei bem o que aconteceu, ainda estou para perceber o que é que esta vida trará de novo para mim. Aconteceu tudo tão de repente, só me lembro de fugir e de ouvir um barulho que parecia vir na minha direção, mas que acabou por me salvar. É estranho que um barulho nos salve, nunca me tinha acontecido, no entanto, já diz o ditado que existe sempre uma primeira vez para tudo. Só agora me apercebo que o futuro não é certo, basta até um barulho para tudo mudar. Num momento sou um índio livre, tapado apenas por uma tanga de couro e num período de segundos amaldiçoa-se uma pessoa, esta corre pela vida, ouve-se um barulho e, no momento seguinte, sou escravo de um homem branco, que tem medo de perder o controlo da sua vida. Será por isso que me obrigou a trocar a minha liberdade por uma fidelidade vestida com calções de marinheiro? Já agora, coisa estranha, nunca havia sequer imaginado que me veria obrigado a jurar escravidão e prometer que usaria tal peça de vestuário, por causa de um barulho, sim, porque tudo se resumiu a isso, um barulho que ao perfurar os meus ex-compatriotas, me salvou de uma morte lenta e quente. Terei que suportar os seus hábitos demasiado … certinhos! Se a vida existe tem que ser vivida, não desperdiçada a regar arroz! Pode ser que ele venha a aprender algo comigo também.
Não consigo deixar de pensar que talvez fosse o destino, pelo menos foi original! Cada vez que penso, um súbito gozo pela situação desperta em mim uma risada incontrolável. Quem diria que o meu destino ficaria a dever-se a um barulho!?! Inacreditável! Nem mesmo nos meus mais remotos sonhos me imaginaria numa nova vida devido a um barulho ensanguentado e feroz! Parece que devido a isso me vou limitar a uma vida de “Sexta-feira” .


Passados alguns dias Sexta-Feira reflete novamente.
Quarta-feira, 13 de maio
Aprendi muitas coisas novas, porém o meu espírito selvagem continua preservado. Uma das coisas que aprendi de Robinson é que não é nada descontraído. Tem rotinas para tudo! É tão regular que se torna extenuante. Já aprendi algumas palavras na língua dele, mas Robinson recusa-se a tentar aprender o meu idioma. Na verdade, só me faz um favor, menos trabalho tenho, já que quase sou obrigado a aprender o dele. A vida com Robinson não tem sido má, mas não me consigo habituar àqueles fatos apaparicados, que são tão importantes para ele.


… Depois da Explosão …
Finalmente, depois de algum tempo, recupero algum poder na minha própria vida e espero que o meu companheiro aprenda mais comigo do que eu com ele …
Sexta-Feira


Carolina Santos Martins 8ºE




Uf! Mais um dia cansativo e de trabalho esforçado. Ainda o Sol não se tinha levantado, já estava a fazer a primeira tarefa diurna, ou seja, verificar como estão os campos e retirar dos mesmos os seres vivos que se alimentam do que nós (embora seja eu que trabalhe) produzimos. Após esta dura missão, dedico-me à contagem do gado existente na ilha, que cada vez existe em maior número. Ao almoço preparei o empadão de que o chefe tanto gosta, no entanto, eu prefiro bagas. A tarde foi passada a fazer as seguintes atividades: rega do trigo e do milho, recolha do arroz e contagem dos animais aquáticos em Speranza. A última atividade foi preparar mais um pesado jantar, ao qual na terra do chefe chamam lombo.
Sinceramente, estou cada vez mais aborrecido com a cultura do patrão, visto que detesto as roupas que visto (quem me dera voltar a usar a tanga de couro), já não como os deliciosos, naturais e frescos alimentos dados pela Natureza. Agora o meu único prazer é fumar cachimbo às escondidas dele, pela razão de parecer perigoso. Ainda assim tenho de aguentar, pois ele salvou-me a vida.
Não entendo a razão pela qual o chefe se dedica esta vida aborrecida e desalegre, porquê tantas obrigações, porquê tantos trabalhos, porquê estas roupas? Porquê, porquê, porquê? Estamos numa ilha tão bonita e com tantos recursos, podíamos ter tanta diversão e formar uma bela amizade. Espero que um dia a mentalidade dele mude, pela simples razão de que esta vida nos entristece a ambos.
Bem, vou-me deitar-me, pois amanhã será mais um dia trabalhoso. A minha única solução é esperar que Robinson mude.
Obrigado por me ouvires e até amanhã, meu fiel ouvinte.
Sexta-Feira


João Lima, 8ºE




Querido diário,
Olá outra vez! Estou, neste momento, no meu abrigo, o Robinson deu-me folga, pois está a chover torrencialmente e um frio que me arrepela os ossos. Tem sido muito difícil suportá-lo nestes últimos dias, está de mau humor. Eu não compreendo a cultura de Robinson, mas estou em dívida para com ele, por isso… Contudo, tenho feito tudo aquilo que me pediu: ordenhar as cabras, cultivar cereais, construir currais, fazer instrumentos de pesca, construir casas, fazer refeições, uhh, tanta coisa, porém, tem estado chateado por eu ter colocado as roupas todas finórias e requintadas nos catos, qual é o problema? Ele é rude para comigo quando eu brinco, lá na tribo não havia nada de mal com isso. Parece que ele não gosta de mim, mas eu vou-me esforçar para que ele não pense nada de mal. Robinson é muito, muito… muito objetivo e rígido, parece um sentinela, a sua postura é tão direita como a de um bacalhau a secar. No entanto, é um ótimo companheiro, pois ajuda-me quando é preciso e ensinou-me a ser um bom cidadão, porque sem ele não estava aqui a escrever!
Temos imensos planos de construção, porque têm ocorrido imensas tempestades por aqui, por isso, deve-se estar a aproximar o inverno.
Bem, supostamente Robinson está a chegar, tenho de ir!
Sexta-Feira
Leonor Ferreira, 8ºE