
Anda e Andoar (animais caprinos) são duas personagens do livro Sexta-Feira ou A Vida Selvagem, que temos vindo a explorar na aula de Língua Portuguesa. A relação de Sexta-Feira com estas personagens ilustra bem o respeito que o índio sentia pela vida animal, situando-se não num plano superior , como acontece nas culturas "civilizadas", mas sim num plano de igualdade.
Os textos seguintes são o RECONTO de uma sequência narrativa do referido livro que nos ajuda a perceber essa relação de simbiose entre o homem e o animal.
Do muito gado caprino que existia em Speranza, Sexta-Feira afeiçoou-se especialmente a uma cabrinha que encontrara magoada e que o próprio alimentou e pôs novamente a andar, a cabrinha chamava-se Anda.
A amizade que os dois formaram, à qual Robinson não era indiferente, ganhava cada vez mais vida e cumplicidade, apesar disso, Sexta-Feira sempre garantira que, se quisesse, Anda poderia ir embora.
Certa manhã, o indígena notou alterações comportamentais em Anda e o seu olfato dava-lhe a ideia de um cheiro a bode. Desconfiado, decidiu ficar despertado na noite seguinte, e, eis que apareceu o rei dos bodes, Andoar, com a sua boa compleição física. Este acabou por desaparecer, após o índio ter aprisionado Anda nos seus braços.
No dia seguinte, Sexta-Feira, convicto da sua vitória, decidiu enfrentar Andoar, porém deu-se mal, tendo o bode investido sobre ele e tendo caído sobre plantas que lhe provocaram imensos ferimentos.
Durante vários dias, Sexta-Feira foi obrigado a repousar e, com a ajuda de Anda e Robinson, lá se recompôs, após muitas horas na sua cama de rede. Este ainda estava débil fisicamente e numa manhã denotou a falta da cabrinha. Nesse momento, jurou que teria novo embate com Andoar e recuperaria Anda.
Noutra manhã, lá partiu à procura do bode que, apesar de ser um adversário, até o índio lhe reconhecia qualidades. Novamente, nos rochedos, ocorreu uma luta que teve o mesmo efeito da primeira, ou seja, as investidas do bode foram muito poderosas, no entanto, acabaram por cair ambos no precipício e … Andoar, num ato de bravura, protegeu o adversário do embate, indo o próprio encontrar o abismo.
Ao ver a honrosa atitude, Sexta-Feira prometeu pôr Andoar a voar e a cantar. Cumpriu com essa missão, construindo um papagaio e uma harpa eólica com os restos mortais do bode.
João Lima 8ºE Nº13
As cabras que Robinson havia domesticado, depois da explosão, voltaram ao estado selvagem e eram agora comandadas por um bode rei chamado Andoar.
Um dia, durante uma luta entre um bode e Sexta-Feira, lutas estas que normalmente fazia por divertimento, Sexta-Feira encontrou uma pequena cabrinha que se encontrava ferida, era ainda muito jovem. Sexta-Feira encarregou-se de tratar da cabrinha que, posteriormente, foi batizada como Anda. Sexta-Feira tratou dela a tempo inteiro e fez tudo ao seu alcance para a ajudar a sarar o seu ferimento, por mais que Robinson se opusesse a essa ideia e defendesse que lhe poupariam o sofrimento abatendo-a. Porém, angustiado, ao ver o sofrimento da pobre cabrinha que não se conseguia mexer, Sexta-Feira manteve-se determinado a salvar a vida daquela criatura … até que, finalmente, o seu objetivo viu-se alcançado e Anda conseguiu novamente saltar e correr por cima de tudo no seu caminho.
A relação entre Sexta-Feira e Anda desenvolveu-se rapidamente; Anda acompanhava Sexta-Feira para todo o lado, como sinal de gratidão e de amor e Sexta-Feira divertia-se com esta. Apesar de Robinson defrontar Sexta-Feira com os seus próprios ideais de liberdade e acusá-lo de não permitir que Anda voltasse ao seu meio natural, a sua dedicação ao animal era tão grande que defendia que a cabrinha só estava com ele pois assim o desejava e que, quando quisesse ir, não a impediria de partir.
Um dia, no entanto, Sexta-feira sentiu Anda diferente e no ar pairava um cheiro incomum e muito forte, como o cheiro a bode. Na noite seguinte, ficou desperto e na moita observou o bode Andoar. Anda debateu-se suavemente nos braços de Sexta-feira, sem êxito, pois Sexta -Feira prendera-a. No entanto, veio a arrepender-se e corou de vergonha, lembrando-se do que afirmara perante Robinson.
No dia seguinte, Sexta-Feira partiu em busca do rei dos bodes para uma vitória no desafio contra este. O índio encontrou finalmente Andoar e debateu-se com o mesmo. Consequentemente, sofreu alguns ferimentos causados pelos ataques do bode, pela queda do rochedo e pelos espinhos que aí se encontravam, vendo-se obrigado a abandonar aquele primeiro desafio entre ambos.
Sexta-Feira, mesmo ficando acamado e até quase imobilizado durante algum tempo, não se deixou abater e não se esqueceu do seu objetivo: vencer Andoar, agora principalmente, porque Anda fugira.
Quando ficou curado, procurou novamente o rei dos bodes, porém surpreendeu-se, quando, junto daquela altiva silhueta detetou a presença da sua antiga companheira, a cabrinha Anda.
Sexta-Feira iniciou o desafio com uma pequena provocação, face a isto Andoar agitou-se de uma forma grotesca e avançou em direção ao índio, que num ápice já se encontrava estatelado no chão, tentando evitar outro ataque, porém não se conseguiu aguentar e desfaleceu. Quando se levantou de novo ouviu algo vir contra si, mas antes de cair agarrou-se fortemente ao crânio do bode e não o largou, por mais que rodopiasse e o tentasse atirar. Já num ato de desespero, o índio tapou os olhos ao animal, o que não ajudou, visto que a criatura corria em frente e não parava … até que os dois corpos caíram do precipício.
Quando Robinson, que seguira a luta à distância, chegou ao fundo do precipício, encontrou o corpo abatido de Andoar e Sexta-Feira, de pé, rindo-se da situação, seguido por Anda que lhe lambia a mão. O índio explicou explicou a Robinson que Andoar se sacrificara para lhe salvar a vida, então, em honra de Andoar Sexta-feira prometeu fazê-lo voar e cantar …
Carolina Martins, 8ºE